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    Histórias da aviação – O homem voador

    2010/07/26  

    Ao passar pelo aeroporto de Tegel, em Berlim, repare no seu nome: Otto Lilienthal (1848-1896). E, se tiver algum tempo, pode mesmo procurar a escultura de um homem voador, acorrentado ao chão. Uma escolha bizarra se pensarmos que Lilienthal foi o primeiro a lançar-se nos ares, voar e aterrar em segurança, acumulando, nos finais do século XIX, cinco horas de voo, mais do que qualquer outro ser humano até à altura. Abandonando Tegel, talvez queira distrair-se fazendo o roteiro do muro, cicatriz de uma cidade dividida e involuntário monumento à primeira ponte aérea de ajuda humanitária da História. Fazendo-o, aponte então os passos para a zona de Lichterfelde, mais exactamente, à Schütte-Lanz-Strasse, onde encontrará um monte relvado, encimado por uma construção cilíndrica. Aí chegados podemos voltar a Lilienthal.

    Engenheiro civil de formação, desde cedo Lilienthal se interessou pela questão do voo. A sua primeira experiência foi uma geringonça construída com o irmão Gustav, em 1867. Apesar do falhanço, Lilienthal não desanimou, acabando por encetar um metódico plano de estudos sobre o voo das aves que publicou em 1889. Foi o primeiro a perceber a importância da curvatura das asas dos pássaros para o seu voo. O livro que publicou com os resultados do seu estudo, O voo das aves como fundação da Aviação, será o mais importante para a aviação no século XIX e ainda hoje uma leitura de grande interesse.

    Lilienthal construiu o primeiro planador em 1891. Feito de vimes de salgueiro e resistente pano de algodão, saltava de um trampolim inicialmente colocado a um metro de altura que foi subindo gradualmente até aos 2,5 metros. Com isto a distância percorrida em voo também foi subindo, chegando aos 25 metros. Em 1894, o engenheiro erigiu o monte onde parámos há pouco, em Lichterfelde. A estrutura circular no seu topo era o hangar onde guardava os planadores e de onde efectuava os saltos. A partir de Lichterfelde e de outras localizações, Lilienthal fez voos até 250 metros, sendo o único na época a realizá-los de forma regular até à morte, que aconteceu num acidente, em 1896. O controlo das máquinas era feito através do deslocamento do corpo, uma técnica que viria a renascer nos anos 60 do século XX, com o aparecimento da asa delta.

    Ao contrário do homem acorrentado ao solo em Tegel, Lilienthal voou graças à sua perseverança e espírito metódico. Através dos seus escritos e das fotografias tiradas em voo, conseguiu quebrar uma força por vezes mais forte do que a da gravidade: o desdém a que eram vetados aqueles que procuravam abrir o caminho dos céus, representando uma influência ímpar na legitimação científica da aviação. Abusando de alguma liberdade poética, poderíamos dizer que, cinquenta anos mais tarde, Lilienthal deu uma preciosa ajuda aos seus conterrâneos cercados aquando da ponte aérea de Berlim…

    Por Ricardo Reis

    Projecto Morrinho

    2010/07/19  

    Uma simples brincadeira deu origem a um projecto social e cultural que já mudou a vida a muita gente. Nas favelas do Rio de Janeiro, nem tudo é mau.

    Em 1997, dois irmãos adolescentes, Maycon e Nelcirlan Souza de Oliveira, começaram a brincar com peças de lego, tampas de garrafas e tijolos encontrados aqui e ali. Foram, aos poucos, construindo uma maqueta da favela em que moravam, a Vila Pereira da Silva, no sul do Rio de Janeiro. Em pouco tempo, aos dois irmãos juntaram-se outras crianças da comunidade para a construção do lugar em que viviam em ponto pequeno. Um lugar repleto de histórias que contaram sem medos ou censuras.

    Em 2001, os realizadores de cinema Fábio Gavião e Markão Oliveira, visitaram a comunidade e decidiram contar a história dos meninos vista por eles mesmos. Para isso, treinaram os adolescentes em técnicas audiovisuais (câmara e edição) e ajudaram-nos a filmar as histórias. Além de terem fornecido ferramentas de trabalho aos adolescentes envolvidos no Projecto Morrinho, os cineastas acompanharam o seu desenvolvimento enquanto exposição de arte, o que chamou a atenção a nível nacional e internacional.

    Assim, o que começou como brincadeira tornou-se num projecto artístico com ramificações multidisciplinares – produção e edição de filmes (TV Morrinho), workshops, visitas guiadas (Turismo no Morrinho) e voluntariado (Morrinho Social) – e com uma importância social enorme, um lugar onde os “meninos de rua” brincavam e recriavam as realidades da cidade e das favelas como as viviam. Hoje, com 320 metros quadrados de extensão, a maqueta do Morrinho (Morrinho Exposição) reproduz um complexo de favelas cariocas e é habitado por bonecos Lego, carrinhos de latas e peças soltas, numa enorme cacofonia visual.

    Nos últimos anos, o grupo expôs maquetas de escala menor que a original em vários locais do Rio de Janeiro e em espaços como o Fórum Urbano do Mundo, em Barcelona (2004), o Point Ephémère, em Paris (2005), o LAFF, em Utrecht, na Holanda (2007) e a Bienal de Veneza (2007).

    Dadas as vertentes que inclui, o Projecto Morrinho resulta num ponto de encontro entre expressões artísticas e sistemas sociais numa perspectiva inclusiva e unificadora. Um ponto de encontro e de partida para uma mudança que se quer positiva e global: “A nossa meta é trazer uma mudança positiva à comunidade local, por um lado desafiando a percepção popular das favelas brasileiras. Por outro, contribuindo directamente para o desenvolvimento social, cultural e económico dos arredores.”

    Em 2008, depois de sete anos a seguir o Morrinho e as vidas dos seus criadores, Gavião e Oliveira lançaram o documentário Morrinho: Deus sabe tudo mas não é X-9.

    www.morrinho.com

    Como ajudar
    Trata-se de uma organização pequena que depende, para o seu crescimento, do apoio dado através de redes sociais: comunicar a existência do projecto é a palavra-chave. Assim, poderá seguir o Morrinho no Facebook, Orkut e Twitter, ou no site, onde poderá fazer uma doação. Outra das possibilidades é o voluntariado.

    Por Luísa Santos

    Bass-Off em concerto

    2010/06/30  

    A herança do rock alternativo proveniente do micro-clima das Caldas da Rainha é em 2010 partilhada por Rui Filipe, Né e Nuno Oliveira. Um trio que, a partir de duas guitarras consistentes, por vezes em descontrolo, mas sem nunca ferir o ouvido, e uma bateria que enche e preenche, dá corpo aos Bass-Off. O primeiro trabalho de originais “Ohmónimo” é o mote para a apresentação em Julho, no Plano B (Porto), dia 2, e no Musicbox (Lisboa), dia 21.
    Destaque para o single de avanço “Whatever”, ilustrado pelo realizador Miguel Nicolau, num vídeo que conta com apoio e suporte da MTV Portugal, que pode ver aqui:

    www.youtube.com/watch?v=98X5N7H4Neo

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