Bolas de Berlim com arte
Joana Bértholo é um talento da rede The Star Tracker em Berlim.
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A arte sempre esteve presente na vida de Joana Bértholo. Berlim veio depois. A bola é o mundo onde ela coloca tudo, de forma criativa e genuína. Caracterizar Joana não é fácil, ela própria se define de inúmeras maneiras: “Sou escritora, exploradora, investigadora, viajante e designer social”, e o seu percurso explica esta diversidade. Optou pela escola António Arroio, onde percebeu que era nas artes que queria especializar-se, abraçando a escrita nos tempos livres. Seguiu-se a pintura, depois o design, interrompido durante um ano pela literatura, para depois voltar novamente ao design e terminar a licenciatura em design de comunicação pela Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa. Embora não soubesse ainda qual seria a sua forma de expressão artística, sempre achou que ia contar histórias. Os prémios de escrita falavam por si, desde cedo começou a coleccioná-los. No entanto, após o curso, desafiou-se rumo a Berlim, “melting pot” dos dias de hoje, para descobrir as suas “artes e ofícios”. Aí trabalhou no projecto Social Design Site, uma plataforma internacional online, onde procurava e colocava em contacto projectos de design de todo o mundo que tinham como fim a melhoria social, sob o lema “We cannot not change the world”. Paralelamente, dedicava o tempo à escrita e, durante oito meses, escreveu intensivamente o livro que lançou em Março passado, em Lisboa, pela Caminho, Diálogos Para o Fim do Mundo, que já arrecadou o prémio Maria Amália Vaz de Carvalho 2009. Experimentou ainda o cinema e a dança e o seu trilho começou a delinear-se: Joana contava histórias no seu livro, dava o corpo ao manifesto, observava o mundo com outras lentes, e tudo isto sem deixar de aceitar um outro desafio: escrever uma tese de doutoramento, pela Universidade Humboldt-Viadrina de Berlim, sobre as etapas do processo de desenvolvimento artístico. A investigação levou-a até Buenos Aires para trabalho de campo com a editora de livros Eloísa Cartonera. O processo artístico é pois o centro da sua investigação e paixão, segundo o método experimental. Pelo meio, não deixa de aproveitar o que Berlim tem para oferecer: os parques Tiergarten e Victoria, os pequenas cafés descontraídos dos bairros de Prenzlauerberg e Kreuzberg, os mercados em segunda mão como o de San Reno ao pé de Oberbaumbrucke e as voltas de bicicleta pela cidade. Mas Portugal está lá sempre.
Por Madalena Proença
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