Afinal é branco…
Conheça as razões pelas quais os vinhos verdes minhotos andam nas bocas do mundo.
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Se ainda existe alguma confusão no que ao vinho verde diz respeito, a informação actualmente disponível sobre vinhos encarrega-se de o esclarecer. Mesmo assim, há quem ainda pense que o vinho verde é mesmo verde. Engano dos enganos! O vinho é branco e só se chama verde porque no passado era apanhado ainda verde (sendo por isso muito ácido). Hoje, está tudo muito diferente. Técnicas vitivinícolas inovadoras, aliadas ao trabalho dos enólogos da nova geração – que contribuiram para o aumento qualitativo dos vinhos –, foram os principais causadores da mudança. Por isso, os verdes bem podem gabar-se da fama alcançada tanto a nível nacional, como internacional.
A actual Região Demarcada dos Vinhos Verdes estende-se por todo o noroeste do país. As vinhas, que se caracterizam pela sua grande expansão vegetativa, em formas diversas de condução, ocupam uma área de 34 mil hectares e correspondem a 15% da área vitícola nacional. Questões de ordem cultural, microclimas, tipos de vinho, encepamentos e modos de condução das vinhas levaram à actual divisão da Região Demarcada dos Vinhos Verdes em nove sub-regiões: Amarante, Ave, Baião, Basto, Cávado, Lima, Monção/Melgaço, Paiva e Sousa.
Quando se fala de vinho verde, vêm logo à baila as duas castas de referência: Alvarinho e Loureiro. A Alvarinho, considerada a casta nobre da região, é uma das variedades de uva portuguesa a partir da qual se obtêm excelentes vinhos, de finos aromas de lima e ainda algumas notas tropicais e minerais. Característica da sub-região demarcada de Monção (que integra os concelhos de Monção e Melgaço), encontrou aqui condições ideais para o desenvolvimento do seu potencial enológico. No entanto, falar da Alvarinho somente como uma casta desta região, capaz de produzir vinhos de aromas intensos, com bom teor álcoolico, carácter e longevidade, poderá ser redutor. Na verdade, a Alvarinho possui um perfil e uma personalidade que a levam a ombrear com as castas brancas de maior renome internacional. Daí estar hoje presente em outras regiões nacionais e de também estar a ser plantada mundialmente, em diversos países produtores. Os vinhos têm um aroma fresco, são estruturados e com uma acidez bem marcada, que traduz o clima mais frio, temperado e com influência marítima da região.
Já a Loureiro, também muito apreciada, é uma casta que assumiu particular importância após a reestruturação vitícola da região minhota. Tem um habitat preferencial na região entre os rios Lima e Cavado, um aroma que lembra folhas de loureiro, uma acidez marcante e teores alcoólicos não muito elevados. Está particularmente adaptada às zonas mais frias, como as que rodeiam Braga e se estendem até à costa. As suas produções elevadas tornaram-na muito apreciada pelos viticultores, sendo também muito utilizada na vizinha região galega das Rias Baixas, onde é conhecida por Loureira.
Por Maria João de Almeida
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