Ed Kushins
Em 1992, o californiano Ed Kushins criou um clube a partir de uma ideia original: “Sinta-se em casa… em qualquer parte do mundo”. Era o começo da que viria a ser a maior agência do mundo de troca de casas, a HomeExchange.com.
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Ed Kushins gosta de dizer que os seus pais não eram viajantes ou aventureiros, pelo que não sabe de quem terá herdado a necessidade de vaguear: “O meu pai falava muito de viagens, mas nunca empreendia nenhuma. Eu sempre adorei viajar! Atravessei o país de carro quando acabei o liceu e como estava sempre à procura de uma forma de evasão acabei por me alistar na Marinha para conhecer o mundo. Passei três anos num submarino e fiquei a conhecer todo o Pacífico. Durante as licenças de serviço vivia no Havai”.
Ao terminar os estudos na Universidade de Southern California (Los Angeles), e já contaminado pelo vício das viagens, Ed Kushins acabou por ir trabalhar como director de marketing para a companhia aérea Flying Tiger, o que lhe permitiu conhecer a Ásia. Nessa altura, adorava as descobertas que fazia por todo o mundo. “Depois, veio a família e não queria estar muito tempo afastado, por isso tomei conta de um pequeno negócio e transformei-o num negócio maior. Durante os anos que se seguiram, só viajei de carro com a família, mas era divertido ver os meus filhos a desfrutar dos passeios tanto como eu.”
Saber partilhar
Em finais dos anos 80, Ed Kushins, sempre curioso e aberto a novas formas de viajar, já tinha ouvido falar nas trocas de casas que tinham lugar um pouco por todo o mundo. Em 1991 iniciou-se na modalidade ficando em Washington na companhia dos filhos. “Essa experiência deu-me a conhecer as oportunidades fantásticas desta forma de viajar e dei início a um pequeno clube que cresceu até se tornar na maior agência de troca de casas do mundo. De algumas centenas de membros em 1992 chegámos a 35 mil em 2010. E em 2008, lancei a HomeExchangeGold.com que regista mais de 1000 residências de luxo.”
O que é curioso em relação à Home Exchange é que Ed não vê a agência como “trabalho”, mas como uma ocupação divertida. Embora conte com uma equipa virtual, gosta de comunicar com os seus colegas espalhados pelos quatro cantos do mundo. “O meu maior prazer é ver os benefícios de que os nossos sócios usufruem quando acrescentarmos novas rubricas e oportunidades ao site. É animador ler as notas e os testemunhos espontâneos das pessoas que partilham as suas experiências connosco. Adoro esta partilha. O nosso mote – ‘Sinta-se em casa… em qualquer lugar do mundo’ – exprime na perfeição o tipo de serviço que providenciamos.”Ed acredita que a Home Exchange contribui para um mundo melhor. Não há contratos assinados, não há formalidades. O seu propósito é levar as pessoas a abrirem as portas de suas casas, os seus espíritos e os seus corações. A regra de ouro: “Deixe a casa dos seus parceiros de troca tal como a encontrou ou ainda melhor. Enquanto lá estiver, trate a casa deles como gostaria que eles tratassem a sua”.“Uma das minhas primeiras trocas de casa foi em Nova Iorque. Troquei a minha casa no Sul da Califórnia por uma em Greenwich Village. Acabámos por ficar no estúdio de um tipo que só tinha um sofá-cama na sala de estar. Ele, por sua vez, ficou com uma casa com quatro quartos junto ao mar. O nosso inquilino perguntou-me várias vezes se eu achava que era uma troca justa. Foi uma das melhores trocas que fiz!”Outro exemplo de trocas felizes é o que acontece quando Ed e a mulher vão a São Francisco visitar os filhos: “Há alguns anos um artesão cedeu-nos a sua casa em Berkeley Hills contra o nosso chalet em Palm Desert. Desde então já fizemos a mesma troca seis vezes, usando as casas um do outro como se fosse uma segunda residência. Eu sei onde escondem a chave e qual o truque para pôr a cafeteira a funcionar embora não nos conheçamos pessoalmente!”
Olho por olho?
Como Terry Kushins é uma colaboradora regular da HomeExchange.com, o casal tem um relacionamento bastante próximo. Adoram andar de bicicleta, fazer caminhadas, andar de barco, nadar, explorar e pesquisar: “Passamos cerca de três meses por ano a viajar, sempre com umas trocas de casas pelo meio”. Entre as suas preferidas conta-se uma segunda residência no Grand Lake, no Colorado: “Era uma casa no lago. Uma cabana de madeira com dois quartos que tinha sido construída em 1904. O ideal para nós!”
Outro dos locais favoritos é Dublin. Ficaram instalados numa casa em Blackrock com 10 mil metros quadrados. “Tínhamos a impressão de estarmos dentro de um filme. A cozinha era enorme, com sete máquinas de lavar loiça.” Igualmente marcante foi a viagem à Toscânia, em Itália: “Passámos lá duas semanas ao abrigo da HomeExchange, em 2008, e regressámos com muito boas recordações”. Por causa de um imprevisto, o casal com quem iam trocar de casa foi obrigado a permanecer na residência, tendo-lhes cedido o seu quarto: “Mal sabíamos que eles se iriam tornar nos nossos guias pessoais e melhores amigos, mostrando-nos uma Itália que nunca poderíamos ter conhecido sozinhos. Levaram-nos aos seus restaurantes favoritos, às vinhas dos amigos, fomos às compras, cozinhámos, passávamos os dias a rir, a aprender e a contar histórias”.
Diz o mentor do projecto que uma das vantagens desta modalidade é as pessoas agirem como residentes locais em vez de se comportarem como turistas. E com alojamento de borla. Trata-se ainda de uma opção ecológica e sustentável porque a pegada de carbono de uma troca de casas é praticamente zero se comparada com uma estadia num hotel. Promove a economia local e permite aos residentes capitalizarem o valor da sua casa, enquanto os hóspedes podem contactar mais intimamente com a diversidade cultural.” A HomeExchange restaurou a fé de Ed na humanidade: “Temos conhecido algumas das pessoas mais hospitaleiras do mundo. Vão-nos buscar ao aeroporto, recebem-nos como amigos de longa data e partilham uma refeição gourmet connosco antes de partirem para nossa casa”.
por Mário de Castro
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