De socas ao som da guitarra
Daisy Correia é um talento da rede The Star Tracker em Alkmaar.
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“Não compreendemos a letra, mas conseguimos senti-la…” É assim que a maior parte dos habitantes da terra das tulipas e das socas descreve o fado. Este sentimento deve-se em grande parte a dois factores: por um lado, a Holanda é uma comunidade fortemente aberta a outras línguas e culturas; por outro, o fado, código musical dos portugueses, fala de sentimentos profundos que fazem chorar as guitarras. Daisy Correia, nascida em Amesterdão, desconhecia o fado até ouvir Dulce Pontes, aos 16 anos, quando a sua mãe, emigrante portuguesa, lhe ofereceu um álbum da cantora. A palavra “fado” vem do latim fatum, ou seja, “destino”, e Daisy não poderia fugir dele. Estava traçado o seu fado. O início da carreira musical, fê-lo na companhia de Fernando Lameirinhas, cantor português, que a aconselhou a seguir o coração, convidando-a mais tarde a participar nas suas próprias tournées. Dados os primeiros passos, Daisy sentia que o público não só a inspirava como também a ensinava: precisava de mostrar o fado que trazia dentro de si, de o partilhar, e foi assim que nasceu o sonho de gravar um álbum.
Em 2009, com 22 anos, Daisy lançou o disco Este Meu Fado. E o que tem de especial este seu fado? Sobretudo a influência de vários estilos, não fosse a própria fadista feita de diversidade – meia portuguesa, meia holandesa –, e uma cidadã do mundo a viver em Amesterdão, o que se traduz em fado sofrido, pop alegre e sons africanos ritmados. Este ano, Daisy espera concretizar outro dos seus sonhos, realizando a primeira tournée, que começa em Setembro, pelas terras baixas da Holanda. Mas há mais coisas na sua lista de desejos, como por exemplo, ver o seu fado expandir-se e chegar quer a Portugal, quer ao outro lado do Atlântico. Desde cedo que vem a Portugal nas férias e quando está no país sente-se portuguesa. Confessa, porém, que a sua altura, o tom claro do cabelo e os pormenores da língua por vezes a atraiçoam. Nada que Daisy não consiga facilmente superar com um riso e energia contagiantes. Neste momento, encontra-se a viver em Alkmaar, a norte de Amesterdão, região repleta de canais e algo pantanosa. Sobre a cidade, aconselha-nos a visitar os campos de flores e tulipas nos arredores de Kaasmarkt e um mercado tradicional de queijo, onde os vendedores estão vestidos com trajes típicos. Ainda que a Holanda seja a sua vida, Portugal simboliza a família, o sol e a boa comida. Mas é nos jogos de futebol disputados entre Portugal e Holanda que mais sofre… o que resolve torcendo de forma diferente por cada um nas duas partes!
por Madalena Proença
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