Olissippo Lapa Palace, Lisboa
Mais do que cinco estrelas, o Lapa Palace oferece-lhe uma constelação de bons motivos para lá ficar. A opulência, os jardins, a arte de bem receber e a vista soberana sobre Lisboa são de outra galáxia.
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Diz a lenda que o herói grego Ulisses fundou Lisboa e que aqui se perdeu de amores pela deusa-serpente Ofíussa. A história conta ainda que, vendo-se só quando o herói homérico regressou à sua pátria, Ofíussa enraivecida fez estremecer o planalto do Tejo dando origem às sete colinas de Olissipo, hoje Lisboa. A referência às sete colinas cresceu entre os autores dos séculos XVI e XVII, entre eles Frei Nicolau de Oliveira, que as descreve enquanto poiso de alguns dos principais monumentos de Lisboa, como o castelo de São Jorge, a Igreja das Chagas e o mosteiro de São Vicente de Fora. Mas, de lá para cá, a cidade cresceu e ocupou novas colinas onde nasceram novos templos. Um deles é o Lapa Palace, um lugar onde se presta culto ao hedonismo.
Construído em 1870 pelo visconde de Porto Covo, passou depois para as mãos do Conde de Valenças que, por volta de 1883, o transformou num verdadeiro palácio decorado por alguns dos grandes artistas da época, como os irmãos Rafael e Columbano Bordalo Pinheiro, responsáveis por frescos e arabescos em vários salões do edifício. Os herdeiros do conde só se desligaram do palácio em 1992, passando-o à família Simões de Almeida, que o transformou num hotel digno de figurar entre os melhores da Europa.
La crème de la crème
Um senhor de fraque e cartola abre a porta do carro e diz: “Boa noite, bem-vindo ao Lapa Palace”. Daqui em diante, como por artes mágicas, parece que o mundo lá fora deixa de existir. No hall, ouvem-se acordes de piano do fado lisboeta “A Tendinha”. Se seguir o rasto à música vai dar de caras com um bar que faz lembrar uma tertúlia dos primórdios do século passado.
Cartão postal do que de melhor se fez (e faz!) em Portugal, o Lapa Palace bem podia ser um hotel museu. O espólio deste “museu” tem peças de peso. Na ala original, a do Palácio – à qual se juntaram duas recentes, a do Jardim e a Villa Lapa – o clássico atinge o máximo esplendor. Os quartos e suites atravessam vários estilos e épocas: art déco, colonial, Algarve e neo-clássico.
Em todos eles, o mobiliário foi recriado por mestres carpinteiros de Paços de Ferreira, à imagem dos móveis originais que abrangem estilos como o D. João V, D. Maria I e D. José. É difícil não se sentir um verdadeiro dandy quando rodeado por tamanha opulência e presenteado com vários mimos ao longo da estadia. Como a garrafa de Porto oferecida em jeito de boas-vindas. Se tiver a sorte de ficar instalado na suite dos Condes de Valenças, faça um favor a si mesmo e saboreie o pequeno-almoço no torreão, com Lisboa e o Tejo como pano de fundo, paisagem tão bela que quase parece uma miragem.
No campo dos sabores, o curador de serviço é o chefe António Pimenta. O restaurante Lapa tem uma carta que é um hino à cozinha mediterrânica. Aceite esta sugestão: comece com carpaccio do Lapa, siga para o risotto de ervas finas com toranja e lavagante da costa e remate com uma parrilhada de peixe e mariscos. Reserve ainda espaço a um duo de chocolates ou a um irrecusável crème brûlée com gelado de maracujá. Pode ainda banquetear-se na esplanada do Lapa ou no restaurante Le Pavillion, que está encaixado num belíssimo jardim subtropical, o mesmo onde fica a piscina exterior, cujas águas tépidas são bastante convidativas nesta época estival. O spa é um complemento de luxo. Um rol de tratamentos e massagens completo com ginásio, piscina interior, sauna e banho turco.
Rua do Pau da Bandeira, 4
+351 21 394 9494
€370 – €2600
por Maria Ana Ventura
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