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    Projecto Morrinho

    2010/07/19  

    Uma simples brincadeira deu origem a um projecto social e cultural que já mudou a vida a muita gente. Nas favelas do Rio de Janeiro, nem tudo é mau.

    Em 1997, dois irmãos adolescentes, Maycon e Nelcirlan Souza de Oliveira, começaram a brincar com peças de lego, tampas de garrafas e tijolos encontrados aqui e ali. Foram, aos poucos, construindo uma maqueta da favela em que moravam, a Vila Pereira da Silva, no sul do Rio de Janeiro. Em pouco tempo, aos dois irmãos juntaram-se outras crianças da comunidade para a construção do lugar em que viviam em ponto pequeno. Um lugar repleto de histórias que contaram sem medos ou censuras.

    Em 2001, os realizadores de cinema Fábio Gavião e Markão Oliveira, visitaram a comunidade e decidiram contar a história dos meninos vista por eles mesmos. Para isso, treinaram os adolescentes em técnicas audiovisuais (câmara e edição) e ajudaram-nos a filmar as histórias. Além de terem fornecido ferramentas de trabalho aos adolescentes envolvidos no Projecto Morrinho, os cineastas acompanharam o seu desenvolvimento enquanto exposição de arte, o que chamou a atenção a nível nacional e internacional.

    Assim, o que começou como brincadeira tornou-se num projecto artístico com ramificações multidisciplinares – produção e edição de filmes (TV Morrinho), workshops, visitas guiadas (Turismo no Morrinho) e voluntariado (Morrinho Social) – e com uma importância social enorme, um lugar onde os “meninos de rua” brincavam e recriavam as realidades da cidade e das favelas como as viviam. Hoje, com 320 metros quadrados de extensão, a maqueta do Morrinho (Morrinho Exposição) reproduz um complexo de favelas cariocas e é habitado por bonecos Lego, carrinhos de latas e peças soltas, numa enorme cacofonia visual.

    Nos últimos anos, o grupo expôs maquetas de escala menor que a original em vários locais do Rio de Janeiro e em espaços como o Fórum Urbano do Mundo, em Barcelona (2004), o Point Ephémère, em Paris (2005), o LAFF, em Utrecht, na Holanda (2007) e a Bienal de Veneza (2007).

    Dadas as vertentes que inclui, o Projecto Morrinho resulta num ponto de encontro entre expressões artísticas e sistemas sociais numa perspectiva inclusiva e unificadora. Um ponto de encontro e de partida para uma mudança que se quer positiva e global: “A nossa meta é trazer uma mudança positiva à comunidade local, por um lado desafiando a percepção popular das favelas brasileiras. Por outro, contribuindo directamente para o desenvolvimento social, cultural e económico dos arredores.”

    Em 2008, depois de sete anos a seguir o Morrinho e as vidas dos seus criadores, Gavião e Oliveira lançaram o documentário Morrinho: Deus sabe tudo mas não é X-9.

    www.morrinho.com

    Como ajudar
    Trata-se de uma organização pequena que depende, para o seu crescimento, do apoio dado através de redes sociais: comunicar a existência do projecto é a palavra-chave. Assim, poderá seguir o Morrinho no Facebook, Orkut e Twitter, ou no site, onde poderá fazer uma doação. Outra das possibilidades é o voluntariado.

    Por Luísa Santos

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