Vinho em terras de sol
Nos últimos anos, os vinhos algarvios alcançaram uma qualidade nunca antes vista. O paladar dos portugueses ainda não é suficientemente atrevido e raramente procura novidades fora das regiões que já conhece, mas agora há vinhos de outras paragens que vale a pena provar.
—
É certo que os vinhos algarvios não serão tão conhecidos como outros produtos da região, como os citrinos, as amêndoas, os figos ou o licor de medronho que aqui se produzem tradicionalmente, mas aos poucos têm vindo a ganhar novo folêgo e a conquistar o seu lugar ao sol.
No Algarve, a qualidade dos vinhos é recente, mas a verdade é que a existência e a importância da vinha no Sul português remonta aos Tartessos, que terão sido o primeiro povo a produzir vinho na região, cerca de 2000 anos a.C. Outros povos seguiram o exemplo, dos fenícios aos gregos, dos celtas aos romanos, que ao cristianizarem a Península introduziram o vinho nas celebrações religiosas. A importância da vinha e do vinho é uma vez mais reconhecida ao ser referenciada nos forais de Tavira (1266, por D. Afonso III) e de Porches (1286, por D. Dinis). No entanto, e já no final do século XX, o cultivo da vinha decaiu perante outras actividades mais prósperas e rentáveis para o turismo.
Agora os tempos são outros e, entre as atracções gastronómicas do Algarve, também está o vinho. A sua qualidade actual é evidente, resultado da evolução enológica e da introdução de novas técnicas de viticultura e de castas que tão bem se adaptaram ao terreno. De origem arenosa ou argilosa, o solo é a base de plantação de castas tão variadas como a Trincadeira, Touriga Nacional e o Aragonez (tintas), ou a Arinto, Malvasia fina ou Moscatel graúdo (brancas), entre outras tantas nacionais e estrangeiras que foram adoptadas pela região e que dão origem a interessantes vinhos brancos, rosés, tintos ou licorosos.
O clima ajuda. O Algarve é uma zona bem definida, caracterizada pela proximidade do mar, pelo sol, pela vegetação natural e por uma cultura marcada pela longa ocupação árabe. A localização meridional e a protecção assegurada pela barreira montanhosa contra os ventos frios do Norte, assim como a exposição em anfiteatro virado ao Sul, definem um clima acentuadamente mediterrânico: quente, seco, pouco ventoso, com amplitudes térmicas muito reduzidas e uma média de insolação acima das três mil horas por ano.
Existem no Algarve quatro Denominações de Origem Controlada (DOC) – Lagos, Portimão, Lagoa e Tavira – que, nos últimos anos, fizeram aparecer no mercado novas marcas de vinho com origem em diversos podutores. De entre estas, destacam-se a Quinta do Morgado da Torre, a Quinta do Francês, a Paxá Wines, a Quinta do Barranco Longo e a Adega do Cantor (esta última pertencente ao cantor britânico Cliff Richard).
No entanto, e apesar da Rota dos Vinhos do Algarve já estar lançada, ainda há muito por fazer. É que se os vinhos algarvios são já muito consumidos e apreciados na própria região, há ainda quem não os conheça em Portugal, e muito menos lá fora. Divulgação, promoção e marketing serão pois as palavras de ordem para singrar a nível nacional e internacional. Mãos à obra!
por Maria João de Almeida
—
imprimir
Email Facebook
Comentários
Deixe um comentário:




